CULTURA DE PAZ EM AÇÃO

A ARTE DE VIVER EM PAZ – AVIPAZ

Se você é um beija-flor que participou da Formação de Facilitadores da AViPaz, clique abaixo:

Seja um Beija-Flor da Paz

Por Pierre Weil

Diante da magnitude e complexidade dos problemas da nossa época, muitas são as pessoas desanimadas, achando que não têm nem competência, nem poder para resolvê-los. Acham que isso é atribuição de governos ou de organismos das Nações Unidas. Isso é apenas um aspecto da questão. Outro aspecto pode ser ilustrado por uma fábula indiana.

É a história de um beija-flor que está no meio de um incêndio na floresta em que vive.

O beija-flor, vendo a floresta pegar fogo, enche o bico d’água num rio próximo e a derrama sobre as chamas. Repete, incansavelmente, esse gesto.

Os outros animais zombam do beija-flor e indagam se ele está louco. O pássaro responde: 

– Sozinho, sei que não vou conseguir, mas estou fazendo a minha parte. Se todos fizerem o que podem, juntos apagaremos o fogo.

Se você quiser realmente viver em paz, pratique as Ecologias do Ser, do Social e do Ambiental. A sua existência irá melhorar de uma maneira que você nem imagina.

Para obter tal resultado, aplique com assiduidade as recomendações desta explanação. Faça a sua parte.

Seja um beija-flor da paz.

Cópia de parte da entrevista concedida ao Banco do Brasil, em 1998.

Unipaz: todo dia é dia de Cultura de Paz

Lydia Rebouças

A Universidade Internacional da Paz/Unipaz é uma das instituições “abre alas” do movimento de Cultura de Paz no mundo. Há 33 anos nos dedicamos a cultivar e irradiar uma trilha de Cultura de Paz.

O conceito de Cultura de Paz é bastante recente. A primeira vez que entramos em contato com ele foi na Conferência Internacional sobre a Paz na Mente dos Homens, promovida pela Unesco em Yamoussoukro, Costa do Marfim na África, em 1989.

Logo após, em 1990, o professor Dr. Pierre Weil escreveu o livro A Arte de Viver em Paz, que foi publicado pela Unesco, em inglês e francês. No ano 2000, a 26ª Assembleia Geral da Unesco recomendou A Arte de Viver em Paz, ou AViPaz, como um novo método de Educação para a Paz. Pierre recebeu pessoalmente essa homenagem, tão importante para todo o movimento da Cultura de Paz.

A Assembleia Geral da ONU, realizada em 1998, proclamou 2001 a 2010 como a Década Internacional da Promoção da Cultura de Paz e Não Violência. Naquela década, ocorreu uma importante sensibilização das pessoas para esse tema fundamental, o que inspirou o surgimento de novos movimentos e fortaleceu aqueles que estavam iniciando e criando metodologias de ação fundamentadas na Cultura de Paz. Na Unipaz continuamos a promover e cuidar para que essa manifestação seja cotidiana: todo dia é dia de Cultura de Paz.

Na AViPaz Pierre Weil dedicou-se à Cultura de Paz na Educação, “costurando” três manifestações da Paz. Cada uma delas apresenta-se como uma forma de consciência e um tipo de ecologia: interior, social e ambiental. Também integrou ensinamentos da Psicologia Oriental à AViPaz realizando, assim, uma ponte Ocidente-Oriente. A AViPaz é a síntese de um caminho mais amplo que Pierre denominou de A Arte de Viver a Vida. 

Sou encantada por essa metodologia de ação da cultura de paz, uma pedagogia ecológica. Tenho a alegria de atuar, há 30 anos, como facilitadora do seminário AViPaz e da Formação de Facilitadores AViPaz. Em contato com os diferentes grupos constato, através de suas avaliações e depoimentos espontâneos, como a AViPaz é um precioso instrumento pedagógico de Cultura de Paz. Tem potencial para contaminar a existência de todos que estiverem abertos a essa trilha de inteireza e cuidado, inspirando diferentes formas de atuação. Somos convidados, cotidianamente, a exercermos o potente protagonismo do beija-flor.

Destaco, como exemplo da relevância dessa metodologia, a compreensão do que Pierre denominou de Fantasia da Separatividade. Essa ilusão é formada na mente de cada um de nós, gerando uma visão fragmentada e reducionista.  

Pierre explicitava esse esquema iniciando pelo Prazer – possível de ser sentido sem Apego, mas que na maioria das vezes leva ao Apego do que promove o prazer relacionado a coisas, pessoas ou ideias. O Apego, por sua vez, gera o Medo de perder essas coisas, pessoas ou ideias que geram prazer. 

O Medo desencadeia incontáveis emoções destrutivas, que repercutem no Corpo como Estresse. O Estresse pode levar à Doença física de acordo com a intensidade das emoções nele envolvidas. Nesse processo, ocorre um Sofrimento físico e emocional. Muitas vezes não nos damos conta da conexão corpo-emoções porque vivenciamos a normose de cultivar a Fantasia da Separatividade, que inicia na Mente de cada um de nós, provocando o esquecimento da unidade corpo-emoções-mente.  

Apego 🡪 Medo🡪 Estresse. Esse é um círculo vicioso destrutivo. Ao respirar mais suave e profundamente, podemos observar a cena com distanciamento, sem julgamento, tomando consciência desse processo destrutivo. A partir de então, damos passos em direção à mudança, o outro lado desse esquema. 

Na obra de Pierre, a tomada de consciência da inseparabilidade Eu Natureza é fundamental. Vivenciamos essa não separatividade em nosso corpo e, com isso, conseguimos dar um passo a mais em direção à Roda da Paz

Para vivenciarmos a não separatividade, primeiramente é importante e imprescindível desapegar da ideia de que somos separados. Esse desapego promove a vivência do Amor, que prefiro denominar Biofilia – o amor à vida em todas as suas manifestações.

Isso acontece conosco em nível emocional e repercute no corpo propiciando mais harmonia. Quando nosso corpo está mais vital e em harmonia, contamina positivamente a Mãe Terra e tudo o que nela existe. Assim, vivenciamos a Paz como um movimento que emana do estado de inteireza, ao cultivar na mente a ideia da não separatividade ou da Unidade. Confio que a experiência da pandemia ajudará a humanidade a experienciar mais e mais Biofilia

 

Na concepção da AViPaz, Pierre Weil deixou-se inspirar por outros dois Pierres: Pierre Teilhard Chardin e Pierre Dansereau. 

Pierre Teilhard Chardin (1881-1955) foi tão presente nos primórdios da sistematização da AViPaz, que o termo Noosfera, por ele criado, era utilizado na Ecologia Ambiental. Com o tempo, Weil substituiu essa expressão por outras que todos pudessem compreender com mais facilidade: informação, programa e inteligência da natureza.

Pierre Dansereau (1911-2011) foi um ecologista pé descalço do Quebec, Canadá, que propôs a via da Austeridade Feliz. Só compreendi essa alternativa durante o Caminho de Santiago, quando viajei com uma muda de roupa, além daquela que vestia o corpo. Estou voltando a viver isso agora, no Caminho da Quarentena

Inspirado em Dansereau, Weil propôs uma reflexão a respeito do que é Conforto Essencial.  Pessoas economicamente estáveis são confrontadas com seus excessos e consumismos por meio das seguintes perguntas: – O que é essencial em relação à minha alimentação? Para a minha vestimenta? Para minha moradia? Para minha mobilidade?

Podemos nos inspirar em Mahatma Gandhi que disse “todo aquele que tem coisas de que não precisa é ladrão”. Essa reflexão, enraizada no cotidiano, facilita experienciar o que na AViPaz é denominado de Simplicidade Voluntária.

Para pessoas economicamente desfavorecidas, a questão poderá ser: – Como podemos obter o conforto essencial em relação a alimentação, vestimenta, moradia e mobilidade?

A A Arte de Viver em Paz é apresentada por meio do livro, palestra, seminário, retiro, formação de facilitadores, mas não se reduz a isso. Na verdade, consiste em uma trilha que possibilita a vivência da Cultura de Paz no cotidiano. Confio que possamos, como beija-flores, cuidar da semeadura desse precioso legado, vivenciando Biofilia.

Lydia Rebouças é Psicóloga, Educadora, Vice-Reitora da Unipaz.

Baixe aqui o livro

Transcrição do discurso proferido por PIERRE WEIL

Reitor da Universidade Holística Internacional – UNIPAZ
Fundação  Cidade da Paz, Brasil
Laureado com a menção honrosa do prêmio da UNESCO Educação para a Paz 2000 com A Arte de Viver em Paz

Esta menção honrosa deve ser compartilhada com todos aqueles que ajudaram a organizar a Universidade Holística Internacional – UNIPAZ e Fundação Cidade da Paz no Brasil e em todo o mundo, especialmente com a sra. Monique Thoenig, que criou a primeira Universidade Holística em Paris há mais de vinte anos, e a quem nos juntamos, eu e o padre Jean-Yves Leloup, para estabelecer as bases da Universidade em Brasília. 

Também gostaríamos de expressar nossa gratidão ao sr. Yves Mathieu e sra. Roswitha Lanquetin, Presidente e Secretária-geral da UNIPAIX-Europa, respectivamente, e ao sr. Robert Muller, laureado com o Prêmio Educação para a Paz da UNESCO, em 1989, que me indicou para este prêmio.

Olhando atentamente o texto que apoia esta menção honrosa pelo Júri, fiquei muito feliz por ver que ele se refere ao fato de que planejamos e estabelecemos um novo método de educação para a paz, combinando métodos de ensino ocidentais e orientais.

Sinto fortemente que esta distinção aumenta minha responsabilidade. Por isso, inspirado pelo livro de Robert Muller, “Duas mil idéias para um mundo melhor”, pensei que seria uma boa idéia dar uma breve descrição dos princípios e formas de ação que caracterizam este novo método de educação para a paz:

  • Para que a educação para a paz seja realmente eficaz como fator na mudança de uma cultura de violência para uma cultura de paz, o trabalho deve ser feito em três áreas complementares e inseparáveis:
  1. viver em paz consigo mesmo (ecologia interna, consciência individual), em relação ao corpo, vida emocional e espírito; 
  2. viver em paz com os outros (ecologia social, consciência de grupo), em relação à economia, à vida social e política e à atividade cultural;
  3. viver em paz com a natureza (ecologia ambiental, consciência planetária), em relação a matéria, vida e informação.
  • A educação para a paz requer uma mudança enorme (substancial) nas atitudes públicas e especialmente dos educadores: junta-se a uma nova abordagem de ensino, que abrange e reúne os polos masculino e feminino do nosso ser, desequilibrado por quatro mil anos de cultura de guerra machista, uma polaridade que corresponde às funções ligadas aos dois hemisférios do cérebro.
  • Esta nova forma de educação requer um encontro metodológico entre abordagens intelectuais e racionais do Ocidente e abordagens intuitivas e espirituais do Oriente.
  • A nova forma de educação é, necessariamente, transdisciplinar e holística.
  • O crescimento da plena consciência interna, do amor universal e da sabedoria restaura o significado da existência da educação e, portanto, o sentido da nossa própria existência no universo.
  • Além disso, para ser realmente um instrumento de mudança cultural, a educação deve: 
  1. estender sua ação aos meios de comunicação, transformando-os em meios para aumentar a conscientização da paz e da não-violência; e
  2. transformar os estereótipos violentos e componentes da cultura da violência, como é o caso de muitos hinos nacionais, em temas de paz. Podemos mencionar a Marselhesa de Paz que elaboramos para semear, nas almas dos jovens franceses, a semente da alegria e do amor por todos os povos do mundo. Por exemplo, em vez do conhecido refrão sanguinário, propomos o seguinte texto que é propício a uma cultura de paz:

Vivons la liberté
Dans la fraternité
Chantons, dansons
D’un seul élan
Vibrons à l’unisson!

Vivamos a liberdade
Na fraternidade
Cantemos, dancemos
Em um único impulso
Vibremos em uníssono!